domingo, 16 de dezembro de 2012

Lá, onde a neve cai...

E eis que, pela primeira vez na vida, vejo a neve cair!
Apesar do frio, é uma sensação muito gostosa e com um gosto infantil, de ver algo novo e antes tão distante da realidade. Foi por alguns minutos apenas, não formaram-se blocos de gelo para fazer bonecos de neve, mas já valeu à pena.
Outro dia nevou mais uma vez, no meio da tarde, quando estava em casa estudando e aí liguei correndo para a mãe, como uma criança outra vez, e mostrei pra ela a neve caindo, através do skype, foi a felicidade compartilhada!
Esses momentos de empolgação com o novo ajudam muito a superar algumas barreiras que o novo também traz...como a adaptação.
Ultimamento o desafio é aceitar as poucas horas de luz que o inverno disponibiliza aqui. Todos os dias, por volta de 15h30min, o pôr-do-sol já inicia e, às 16h, a noite já é uma realidade....o que faz parecer que o dia já acabou e nada rendeu, apesar de estar apenas na metade dele. Conversando com os outros brasileiros, vejo que todos têm a mesma sensação de que o dia não rende, que passa muito depressa....a luz do sol faz toda a diferença mesmo.

Sobre as aulas, agora finalmente estou de férias! O que é um alívio absurdo, pois a pressão e carga de estudos foi realmente muito acima do esperado, muito pela barreira da língua e mais ainda pelo sistema de ensino completamente diferente.
Além das coisas que já mencionei aqui no blog, esses dias percebi o quanto aquela fama de "horário britânico" é realmente real. As aulas iniciam exatamente no minuto previsto, sem mais nem menos, e os professores terminam as palestras também na hora exata. Tenha a matéria planejada para o dia acabado ou não, a aula termina e o resto é com o aluno, estudar em casa. Não existe essa de passar da hora. Horário é horário e é cumprido ever!
Na última semana, também fiquei impressionada com o sistema de avaliação nas provas. Uma das professoras explicou como são os exames, que ocorrem todos uma vez ao ano, em maio, referente aos módulos do ano letivo completo. Um dos critérios que fazem os alunos tirarem notas acima de 70 (considerado first class) é trazer referências e conhecimentos - através de citações de artigos e estudos de caso - que estejam além do que foi tratado em sala de aula. Ou seja, o professor não espera que tu responda o que ele já te ensinou ou passou de informação, mas sim que tu traga novidades sobre o assunto para ele, através do que eles definem como "estudo independente". Isso, realmente, é completamente diferente do ensino brasileiro. É ótimo para estimular as pessoas a "se virarem" e buscarem o conhecimento, mas claro que é também muito difícil de acompanhar e corresponder às expectativas.

Mas, como esse semestre já acabou e agora o momento é FÉRIAS, quero encerrar esse post (último desse ano e que marca 3 meses de vida na Inglaterra) com a alegria de quem vai partir em dois dias para uma viagem sensacional!
A trip começa em Barcelona, terra de Gaudi e arquiteturas estonteantes, depois o Natal será em Dublin, com a prima da Pâmela (minha amiga e flatmate aqui). Na sequência vamos para dias ainda mais frios, mas não menos interessantes na Alemanha, passando por Hamburgo e encerrando 2012 e começando 2013 em Berlim, na casa da Thais, uma querida que conheci em POA através da minha amiga Vanessa, e que foi um anjo em nos acolher para uma festa da virada cheia de brasileiros!
Empolgação total! Espero que tudo seja tão bom quanto à expectativa!

Que venha 2013, com mais alegrias ainda, se possível!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Imax, beer and jazz

Parecia que ia ser sempre menos corrido aqui do que realmente está sendo. Muitas tarefas, estudos e trabalhos e no tempo livre aproveito pra ficar pela rua....então o blog não está sendo atualizado como deveria. Mas vamos lá!

Das últimas experiências maravilhosas que tive aqui em Norwich queria destacar a ida ao cinema Imax. Eu, que adoro um cinema, fiquei maravilhada com o tamanho da tela, com o áudio e com a nitidez da imagem, realmente perfeitos. Fui assistir Skyfall, do gatíssimo 007, um filme de ação que por si só já ajuda muito a ampliar todos os efeitos duma tela Imax. Adorei! Agora conto os dias pra ver a estreia do Hobbit nesses mesmos padrões....vai ser um sonho!

Antes do cinema também conheci um lugar muito aconchegante, um pub bem inglês (sem turistas, tirando nós, os brasileiros) que tem um DJ muito peculiar: um cara com uma suíça enorme que vira praticamente uma barba e só deixa o queixo de fora, com um chapéu também nada convencional e que na vitrola (sim, uma vitrola) só toca jazz, blues e todo o tipo de música de bom gosto do início do século passado. Dá pra passar horas e horas lá apreciando as deliciosas cervejas (tomei uma Guinness) e ouvindo aquela boa música, como uma viagem a um filme de época.

Nesse último final de semana, como não poderia deixar de ser, mais uma excursão ao mundo cervejeiro inglês, foi o 35° Festival da Cerveja de Norwich. E o mais inusitado: dentro da igreja medieval. Valeu ficar mais de 1h na fila, congelando total na noite de cerca de 6°C, pra entrar na igreja, comprar um caneco e uns tokens e começar a degustar as deliciosas cervejas inglesas e francesas. Não deu tempo de beber todos os vales que comprei, foram menos de 2h lá dentro, mas degustei bastante de graça vários sabores diferentes. É muito interessante como aqui eles tomam a cerveja em temperatura ambiente e elas realmente tem uma textura diferente, que é preciso apreciar, não é como pegar uma gelada no Brasil e matar a sede, tomando rápido. Elas não descem redondo assim, mas tenho gostado muito de degustar e conhecer tantos tipos diferentes de cervejas.

Sobre o frio....depois de passar um frio absurdo duas vezes seguidas, resolvi ir comprar roupas térmicas e uma bota de neve e chuva. No sábado a sensação térmica estava de -2°C e eu, inocente, de tênis e calça jeans, quase entrando em hipotermia de tanto frio. Agora não saio com menos de duas meias, botas peludinhas ou de neve, meio calça por baixo etc. Tive que aceitar que, aqui, o outono é mais frio que o nosso inverno, não tem jeito!

Aliás, o que tem me deprimido um pouco aqui não é o frio, mas sim o fato de que antes das 17h já é noite...agora percebo como a luz do dia e o sol fazem falta na vida da gente, pra dar aquele ânimo. Ainda bem que tenho bastante coisa pra estudar e artigos pra escrever durante esse 1 mês e pouco que falta pra acabar o semestre, aí o tempo passa rápido e logo será minha viagem de férias de final de ano. E será fantástica: Barcelona, Dublin, Hamburgo e Berlim que me esperem, de braços abertos!

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A vida em Norwich e seus desafios



Após 1 mês morando na Inglaterra, finalmente parei um pouco e me dei uma folga pra escrever a experiência incrível que é deixar a sua casa, família e amigos para viver um período no exterior. Ao dizer incrível, quero expressar não só o lado maravilhoso dessa nova etapa, mas também as dificuldades que envolvem a superação de obstáculos.
Não tinha noção do que estaria me esperando aqui, quando saí do Brasil, e vim de braços abertos para o novo, o que foi muito bom. Ao chegar, muitas coisas me surpreenderam positivamente (como organização da cidade, limpeza, beleza natural, qualidade da universidade), outras negativamente (excesso de burocracia, alguns problemas com os créditos das disciplinas e a exigência das leituras acadêmicas).
Hoje, fazendo um balanço dessa primeira fase de adaptação, a mais difícil, vejo que o momento é realmente único para aprender e crescer. Aprender a viver longe de quem eu amo, a conhecer pessoas novas, a superar o obstáculo que é ter que se fazer entender em uma língua estrangeira (e entender os outros, a parte mais difícil)...aprender a dividir meu tempo entre obrigações e lazer. Esse último aprendizado é o que está me dando mais trabalho, ultimamente, porque a exigência acadêmica aqui é realmente muito superior do que a do Brasil e, talvez por eu estar fazendo duas disciplinas que são do mestrado e uma de graduação, a dificuldade seja maior - muitas leituras, essays pra escrever, apresentações em grupo para pensar...nesse ponto o meu perfeccionismo também não ajuda muito, mas com o tempo começo a pegar o ritmo e a me exigir um pouco menos.
Crescer, estou crescendo, muito. Tomar conta das minhas finanças, comida, roupas pra lavar, organização do quarto, todas essas pequenas coisas que acabam ocupando parte do tempo e tendo que ser planejadas, estão me levando para uma vida mais independente.

Agora falando um pouco do externo, da cidade em si e da vida na Inglaterra....Norwich é um lugar extremamente simpático para morar. Uma cidade universitária que é rodeada de verde e tem bastante do seu passado medieval preservado (quando era a segunda cidade mais importante, depois de Londres). O Centro é uma graça e, como em todos os lugares do mundo, é o local onde se acha tudo, com bons preços.
O transporte público não é tão barato (tem ônibus de 4 pounds - ida e volta - e de 2,80 pounds - ida e volta), mas é um exemplo de civilização. Aqui ninguém pode andar em pé, então só entra no bus o número de pessoas que cabem sentadas. Para evitar que isso limite muito as viagens, tem um número razoável de veículos, que passam com 5 min a 15 min de diferença um do outro, dependendo do destino. Além de ser limpo e novo.
Andar de bicicleta é muito tranquilo. Os carros respeitam totalmente, só passam ao lado se tem espaço (com uma distância de segurança bem maior que os 1,5m sugeridos no Brasil).
As pessoas não são um exemplo de simpatia, porque são caladas, mas no momento que é preciso se aproximar de algumas delas, pedir informação ou puxar uma conversa, elas imediatamente respondem com boa vontade. A educação é exemplar e (quase) generalizada - sempre tem os menos polidos...
Por sorte, aqui é úmido, mas menos que no resto da Inglaterra. Então, razoavelmente faz bastante dias de sol (bem mais fraco que o nosso em POA) e a chuva não costuma durar mais de dois dias - é aquela chuvinha fina e constante, ainda não vi temporal.
A beleza daqui, agora no outono, está nas cores da natureza. É realmente lindo o tom que o outono imprime nas árvores, algumas ficando marrons, outras amarelas, bege, cor de telha...isso não tem igual em nenhuma cidade brasileira!

Como estudei demais, a semana toda, e hoje é sexta-feira e mesesário de moradia aqui, resolvi que vou me dar um break, chamar uma pizza da Domino's para a janta e comprar umas cervejas no mercado (tem 600ml de Stella e Budweiser por 1,5 pounds), para relaxar. Não estarei sozinha, porque tive a sorte de ter, no quarto ao lado, uma outra brasileira, da Ufrgs, que veio pra cá na mesma bolsa que eu: a Pâmela. O que está sendo super importante para suportar a saudade dos meus amores que deixei no Brasil.

Agora é aproveitar ao máximo o que esta experiência pode me dar, estudar muito, tentar me divertir em alguns momentos de lazer, que em 10 meses já estou de volta, com muito mais histórias pra contar!

Até o próximo post :)

terça-feira, 29 de março de 2011

Para entender a acidificação dos oceanos

A NOAA - National Oceanic and Atmospheric Administration - está com uma série bastante interessante que explica o que é a acidificação dos oceanos e como isso afeta o ecossistema marinho. Para entender essa modificação na química dos oceanos, causada pela absorção do dióxido de carbono (CO2) que emitimos à atmosfera, leia http://www.pmel.noaa.gov/co2/story/Ocean+Acidification

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Novidades no site O Eco

Segue os links da última reportagem e das duas notícias que fiz nessas últimas semanas para o site O Eco. Para quem ainda não acompanha o site e tem interesse em questões ambientais, vale começar a olhar.

Reportagem sobre as redes de pesca no litoral gaúcho = conflito entre surfistas e pescadores

http://www.oeco.com.br/reportagens/24742-o-conflito-entre-o-surfe-e-a-pesca-no-rs


Notícia sobre UHE Pai Querê


http://www.oeco.com.br/salada-verde/24745-ibama-devolve-eia-rima-de-pai-quere


Notícia sobre os prejuízos com a estiagem no RS

http://www.oeco.com.br/salada-verde/24753-estiagem-no-rs-causa-prejuizo-de-r-30-milhoes

domingo, 23 de janeiro de 2011

Os rumos da população mundial

A nota de Eduardo Pegurier no site ecocidades chamou atenção. Ele divulgou o vídeo do geógrafo Hans Rosling, um especialista em transformar estatísticas em apresentações empolgantes, o qual aborda a situação econômica do mundo e as expectivas para um planeta que já alcançou os 7 bilhões de seres humanos.

Segue a nota na íntegra e o vídeo abaixo.

Chegamos a 7 bilhões. E agora?
Por Eduardo Pegurier, em 23.01.11

Cruzamos, em 2010, o limiar de mais um bilhão de humanos e estamos divididos em quem veste sandália, anda de bicicleta, compra carro e pega avião nas férias. Usando essas 4 categorias, Hans Rosling, um especialista em transformar estatísticas em apresentações empolgantes, ilustrou a situação econômica do mundo e falou dos próximos 2 bilhões de pessoas que virão.

Rosling é fundador do Gapminder, cuja missão é transformar dados vitais sobre países e indicadores sociais em gráficos. Em uma apresentação mais antiga, ele mostrou um sucesso notável da humanidade. Desde 1970, a parcela de miseráveis, aqueles que vivem com menos de 1 dólar por dia, caiu de 38% da população, ou 1,4 bilhão de pessoas em relação a um total de 3,7 bilhões, para 19% em 2000, ou 1,2 bilhão de um total de 6,3 bilhões. Nesse perído, o número absoluto de miseráveis foi reduzido em apenas 200 milhões de pessoas, mas a chance de nascer nessa situação limite caiu pela metade.

A projeção para 2015 é que caia pela metade de novo, para 10% da população, ou 700 milhões de pessoas de uma população total em direção a 8 bilhões.

No vídeo abaixo, ele fala do crescimento populacional e dos padrões de riqueza. Mostra que hoje, em 2011, estamos assim:

* 1 bilhão estão muito bem morando nos países desenvolvidos. Andam de avião nas férias.
* 1 bilhão estão chegando lá. Querem comprar um carro.
* 3 bilhões estão saindo da pobreza. Já conseguem adquirir uma bicicleta.
* 2 bilhões continuam pobres. Ainda estão de sandálias.

O crescimento populacional que ocorrerá nas próximas 4 décadas até 2050 virá dos 2 bilhões de pobres, cuja população dobrará. Eles ainda têm muitos filhos e uma mortalidade infantil entre 20 e 40%. Nesse período, a China se tornará um país rico e os países em desenvolvimento mudarão de patamar de consumo. Assim, os grandes problemas do mundo se resumem em duas categorias:

* Se o mundo não abraçar tecnologias verdes, explode.
* É preciso tirar os 2 bilhões na rabeira da situação de pobreza, pois quando a renda aumenta o número de filhos por mulher cai.

Mas esse texto não conta tudo. Não perca o vídeo (em inglês, com legenda em 35 línguas, inclusive, claro, português)

sábado, 11 de dezembro de 2010

COP 16 - devagar e sempre

A COP 16 chegou ao fim e com ela algumas resoluções internacionais para comprometer os países a reduzirem suas emissões de gases estufa.

Detalhes sobre o que ficou da COP 16 no site: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/12/101211_cancun2_ebc_rc.shtml?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Boa leitura!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dennett, filosofia da mente e religião


Na segunda-feira (08), o filósofo Daniel Dennett veio a Porto Alegre participar do evento Fronteiras do Pensamento. Sua palestra versou sobre a mente humana, ressaltando as características e mecanismos que a diferenciam da mente animal.

Dennett iniciou a conversa com o público ressaltando a abordagem dualista de Descartes na qual a mente dos homens era superior a dos animais pela sua alma imortal, imaterial, que o faz uma coisa pensante, ao passo que os animais teriam mentes simples, guiadas pelo instinto. O filósofo confrontou essa ideia com a visão naturalista, introduzida pelo pensamento de Darwin. Mas como criar uma mente a partir da pura ignorância da seleção natural? De acordo com Dennett, o cérebro humano seria regido por uma espécie de “colônia de cupins”, através da qual esses pequenos agentes (nossos neurônios) agiriam sem saber a razão do que estão fazendo, sem um “chefe” que os controle, como programas de computador. Ou seja, somos tão especiais como Descartes pregava, mas por outras razões: como Dennett aponta, “nós temos uma alma; mas ela é composta de pequenos robôs”.

Entretanto, é possível afirmar que os melhores momentos, a partir dos quais pudemos conhecer um pouco mais sobre quem é Daniel Dennett e quais são as suas opiniões, foi a entrevista coletiva que aconteceu antes da palestra. Nesse momento, o filósofo respondeu aos jornalistas sobre um dos assuntos mais polêmicos de sua carreira: a religião. Isso porque junto com outros influentes pensadores atuais, como Richard Dawkins, Christopher Hitchens e Sam Harris, Dennett é um eminente defensor do ateísmo. Além de refutar a crença generalizada de que as religiões crescem cada vez mais ao redor do globo, Dennett ainda aponta a correlação negativa entre influência da religião e o subdesenvolvimento econômico, social e científico.








Dennett também ressaltou que uma pesquisa feita nos EUA indica que, em 20 anos, apenas 4% das crianças nascidas norte -americanas serão crentes na bíblia. Uma das principais causas desse aumento de “infieis” é a liberdade de informação, já que a internet permite o acesso de qualquer pessoa à todo tipo de informação. E, segundo Dennett, a informação é inimiga da religião.

O filósofo concluiu a conversa explicando o que é o grupo Brights – illuminating and elevating the naturalistic worldview (http://www.the-brights.net/), do qual faz parte. Relacionou a palavra brights (que quer dizer brilhante) com a palavra gay (alegre), afirmando que no “bible belt” norte-americano os ateus de hoje sofrem os mesmos preconceitos que os homossexuais sofriam nos anos 50.

Foi, literalmente, brilhante!


Fotos e vídeo: Flávia Moraes e Rafael Barfknecht






quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Hidrelétricas no RS x preservação da natureza

Acabo de publicar uma reportagem, no site O Eco, sobre a questão das hidrelétricas no rio Uruguai e o excesso de empreendimentos previstos para essa região.

Quem tiver interesse pode ler a matéria completa em: http://www.oeco.com.br/reportagens/24543-bacia-do-rio-uruguai-disputa-pela-preservacao

Para entender a questão da UHE de Pai Querê, empreendimento que está em processo de análise do EIA-RIMA, ouça os comentários do professor do Instituto de Biociências da UFRGS, o botânico Paulo Brack.


domingo, 7 de novembro de 2010

Hoje, não. Amanhã, sim.


Porto Alegre está mobilizada hoje, pois um dos grandes nomes da música internacional está aqui: Paul McCartney. Não irei ao show, pois a admiração que tenho pelos Beatles e pelo Paul não paga o valor do ingresso. Mas com certeza será um grande show e quem estiver lá deve sair satisfeito e até realizado.


Por outro lado, amanhã (segunda), haverá outro show na capital dos gaúchos. Só que desta vez não será musical, mas intelectual. O grande nome da filosofia da mente e da biologia estará palestrando no Fronteiras do Pensamento:
Daniel Dennett. E os colaboradores deste blog estarão presente, fazendo a cobertura completa do evento, cujo tema é "A mente humana: o cérebro às avessas".

Perde-se na arte, ganha-se na ciência.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

WWF Brasil e a natureza




A campanha da WWF Brasil - Para viver você precisa que a natureza também viva - é bem interessante e traz uma mensagem de sustentabilidade que foge daquele ambientalismo radical. Eles deixam claro que para viver em harmonia com o meio ambiente não é preciso vender seu carro, parar de consumir /comprar e de utilizar a água ou coisas do gênero, mas sim fazer tudo isso de maneira consciente e sustentável, sem exageros.

O texto em sua íntegra, que não pude copiar do site, está no link: http://cuidardanatureza.wwf.org.br/#/entenda


Vale ler e refletir!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A onda verde passou!

Ouça o editor de O Eco falando sobre o fim das propostas ambientalistas no segundo turno das eleições presidenciais 2010.


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Blog Action Day 2010 - Water

Hoje é mais um dia de Blog Action Day, no qual blogueiros do mundo todo estão engajados em escrever e divulgar um mesmo tema: Água. O assunto foi escolhido pelos organizadores pelo simples fato de tantas pessoas no mundo não terem acesso a esse que é o bem mais precioso e necessário aos seres vivos.

Essa realidade é muito diferente do que a maioria dos brasileiros estão acostumados, já que o país tem um dos maiores reservatórios de água do mundo e grande parte dos seus cidadãos conseguem ter acesso a água potável. Para informar o que acontece em algumas partes do mundo, veja as estatísticas abaixo:

- Mulheres africanas caminham mais de 40 bilhões de horas ao ano carregando cisternas que pesam mais de 18 kg para buscar água que, em geral, não é potável.

- A cada semana, aproximadamente 38 mil crianças com menos de cinco anos de idade morrem por beber água não potável e viver em condições de higiene precárias.

- É necessário 24 litros de água para se produzir um hamburguer, o que significa o uso de 19,9 bilhões de litros de água para fazer apenas um hamburguer para cada pessoa na Europa.

- Atualmente, 40% dos rios e 46% dos lagos da América são excessivamente poluídos, não podendo ser usados para atividades como pescar ou nadar.

Para saber mais sobre o Blog Action Day 2010 e outros dados relativos a questão da água, assista o vídeo abaixo e acesse: http://blogactionday.change.org/



Blog Action Day 2010: Water from Blog Action Day on Vimeo.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Itália para italianos

E eis que fiz jus ao título deste blog e cruzei fronteiras neste verão. Fiz minhas malas e, na companhia do meu namorado, passei 27 dias viajando pela Itália e Suíça. Visitamos 12 cidades em diferentes regiões italianas, mais Genebra. Durante esse tempo, algumas peculiaridades europeias, mais especificamente italianas, saltaram aos nossos olhos.

1) Os italianos comem mal. Sim, aquela lenda de pizzas maravilhosas e massas saborosas não existe para quem pretende gastar pouco. Na verdade, não vimos pratos apetitosos nem por mais de 10 euros. Eles eram todos mal servidos, com pouco molho na massa ou pouco recheio na pizza. Quando não eram servidos à temperatura ambiente, assim em pleno inverno.

2) Os italianos não falam pouco, nem baixo. Dificilmente você verá dois italianos conversando em um tom de voz civilizado e/ou encerrando uma conversa de forma breve. Eles parecem sempre estar com um ódio absurdo das pessoas, além de gesticularem demasiadamente.

3) Cartão de crédito? Digamos que tecnologia não é o forte da Itália. Excluindo grandes lojas de redes ou supermercados, dificilmente encontra-se um local que aceite o seu cartão de crédito Visa como pagamento. "Only cash" dizem os gringos com seu sotaque inconfudível.

4) As mulheres não usam calças jeans. As mulheres são muito bem arrumadas e maquiadas, principalmente em Milão (norte da Itália). A única coisa que notei "faltar" no visual das italianas, aos olhos de uma brasileira sul-americana, foi a calça jeans. Elas simplesmente não usam esse item. Estão sempre mais sociais, de saias, meia calça e botas.

No entanto, a Itália é inegavelmente linda, cheia de histórias a cada esquina e vale à pena a viagem para qualquer pessoa que se interesse pelas origens da civilização ocidental.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Noite de festa no último Encontros com o Professor



A noite de encerramento da série de Encontros com o Professor de 2009 não poderia ser diferente. Em clima festivo e alegre, Ruy Carlos Ostermann conversou com o trio que compõe a banda Graforréia Xilarmônica: Frank Jorge, Carlo Pianta e Alexandre Birck.


Uma das primeiras questões que surgiu no bate-papo foi entender a origem do nome da banda. Frank tentou explicar, afirmando que o significado de ‘graforréia’ é uma obsessividade por escrever muito e sem sentido. Não satisfeito com a explicação, Birck decidiu contar aquela que seria a verdadeira história do nome da banda. “Quando escolhemos o nome a banda tinha cinco pessoas. Precisávamos fazer um show e não tínhamos nome, então decidimos buscar palavras aleatórias no dicionário e fazer uma votação. A palavra ‘graforréia’ e a palavra ‘xilarmônica’ foram as mais votadas. Posso dizer que em termos de mercado o nome é uma maravilha. Nem eu mesmo conseguia memorizar”, brincou.


No embalo das explicações, Frank decidiu contar a história do nome do primeiro disco da banda ‘Coisa de Louco II’. “Nossas raízes de Uruguaiana e Livramento influenciaram nesse processo de escolha. Lá se fala muito ‘coisa de louco’. Aí pensamos que cada pessoa pode escolher o que é a sua ‘coisa de louco’ número um, mas a ‘coisa de louco II’ não, porque é o nosso disco”, afirmou levando o público às gargalhadas.


Em seguida, falou-se sobre a dificuldade que os músicos brasileiros, em geral, tem para trabalhar apenas com performance. “Não posso me dar ao luxo de trabalhar só com a banda. Preciso estar envolvido em outros projetos para poder me sustentar”, declarou Birck e Pianta completou “Pato Fú e Los Hermanos são umas das poucas bandas brasileiras que conseguem sobreviver disso, fora do main stream. Aqui no Brasil é oito ou oitenta: ou tocamos no Domingão do Faustão, ganhando muito dinheiro, ou temos que pagar para tocar”.


Sobre o processo de composição de tantas letras engraçadas, o trio foi unânime em dizer que o maior responsável por isso é o Frank. “Ele sofre de diarreia criativa, sempre tem que estar compondo. Eu faço algumas músicas, mas são sempre com temas trágicos, dramáticos. O Frank tem a capacidade de colocar humor em suas canções. O Alexandre não costuma compor, embora tenha gravado um cd solo de composições próprias”, brincou Pianta. Birck esclareceu. “Acordei um dia e pensei que queria escrever uma música por dia e no final gravar um disco. Levei oito dias, compondo oito músicas, e gravei tudo, no final pensei: pra que isso!”, contou rindo e fazendo todos rirem com ele.


Aproveitando o embalo, Frank lembrou da forma como compunha músicas naquele que definiu como a sua fase ‘gurizística’. “Era o momento mais crocante das nossas vidas. A gente andava pela rua, sem eira nem beira, e de repente vinha uma palavra na nossa cabeça, que virava uma frase sem sentido e tudo isso se transformava na base de uma canção”, revelou.


Ao fim da noite, as perguntas foram abertas ao público. Dentre elas, destacaram-se duas. A primeira versava sobre dinheiro, e perguntava aos três músicos o que eles fariam se fossem ricos. Birck saltou na frente: “Eu iria morar na Costa Rica. Adoro praia, surfar de pranchão e lá é perfeito para isso”. Pianta respondeu: “Compraria um barco e viveria só fumdando charutos caros”. Por fim, Frank: “Gostaria de fazer mais apresentações musicais na periferia de Porto Alegre ou de outro lugar, levar a música até as comunidades mais marginalizadas”.


A outra questão abordava a influência da internet na vida dos músicos. “A internet ajuda quem não está na mídia a vender cds e fazer shows. As empresas que ficam reclamando direitos autorais, em nome dos artistas, são aquelas mesmas que sempre roubaram de nós”, declarou Pianta. “O lado negativo dessa facilidade da rede é o excesso de produção que temos hoje, sem qualidade, sem o filtro que tínhamos antes”, encerrou Birck.

Crédito da foto: Luis Ventura

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Para pensar

"Quando começamos a avaliar as mudanças catastróficas, todo um novo debate se inicia. Se não sabemos como as atividades humanas vão afetar a fina camada provedora de vida que deu origem e nutre a nossa civilização, e se não conseguimos imaginar de mandeira confiável como essas mudanças geofísicas em potencial vão afetar a civilização e o mundo ao nosso redor [...] não deveríamos ser ultraconservadores e nos inclinarmos em direção à preservação do mundo natural à custa do crescimento econômico e do desenvolvimento? Será que nos atravemos a colocar o bem-estar da humanidade acima da preservação dos sistemas naturais e confiar que a engenhosidade humana nos salvará, caso a natureza nos atinja de maneira cruel?"

William Nordhaus, Climate Change, 1996.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Salve Saramago!

Sempre tive vontade de ler José Saramago, já que ouvi, incasáveis vezes, muitos elogios sobre a sua ótima literatura. No entanto, sempre adiei essa leitura, por saber que seus textos são densos, escritos em um português de portugal clássico, ou seja, preguiça minha.

Agora, com as declarações que este Nobel de Literatura proferiu contra a religião e a igreja, sinto-me não só mais motivada ainda para lê-lo mas na obrigação de fazer isso. Quando leio o pensamento ateu de figuras nobres como Saramago, sinto-me lisonjeada de compartilhar das mesmas ideias que ele.

A seguir, algumas das declarações que o mestre deu hoje para Zero Hora:

21 de outubro de 2009 N° 16131

LITERATURA

Saramago desafia a Igreja


Ao lançar novo livro, em que reconta o mito de Caim, o Nobel de Literatura é recriminado por líderes religiosos

A Igreja Católica está ofendida com as mais recentes declarações do escritor português José Saramago, de 87 anos. Domingo, ao lançar seu novo livro, na cidade de Penafiel, no distrito do Porto, em Portugal, o Nobel de Literatura havia qualificado o Deus bíblico como “cruel, invejoso e insuportável”.Em Lisboa, um representante oficial do episcopado sugeriu que Saramago tomasse “um caminho mais sério”:

– Ele pode fazer críticas, mas entrar em um gênero de ofensas não fica bem a ninguém, muito menos a um Prêmio Nobel – disse o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, Manuel Marujão, acrescentando que as declarações do escritor deveriam ser entendidas como uma “operação publicitária”.

Em seu novo romance, intitulado Caim, Saramago recria com tintas irônicas a história de Caim, o filho de Adão e Eva que, por despeito, matou o próprio irmão, Abel. No lançamento oficial, o autor de Ensaio sobre a Cegueira aproveitou para se referir de forma ácida aos textos que os católicos consideram sagrados:

– A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana. Sem a Bíblia, um livro que teve muita influência em nossa cultura e até em nossa maneira de ser, os seres humanos seriam provavelmente melhores.

Saramago disse ainda que não esperava causar polêmica entre os católicos – “porque eles não leem a Bíblia”. Fez, porém, um adendo:

– Admito que o livro pode irritar os judeus, mas pouco me importa.

O rabino Elieze du Martino, representante da comunidade judaica de Lisboa, respondeu que os judeus não iriam se escandalizar com esse nem com outros textos.

– Saramago desconhece a Bíblia e sua exegese – alegou. – Faz leituras superficiais da Bíblia.

Não é a primeira vez que autor de Jangada de Pedra entra em conflito com autoridades religiosas. Em 1992, ele causou furor com o romance O Evangelho Segundo Jesus Cristo, no qual Jesus vivia um caso de amor com Maria Madalena e aparecia como um sujeito que era usado por Deus na tentativa de ampliar seu poder no mundo. Pouco depois, Saramago deixou Portugal e foi morar em Lanzarote, no arquipélago espanhol das Canárias.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Blog Action Day: mudança climática em pauta

Participando ativamente do Blog Action Day (http://www.blogactionday.org/), hoje vou postar sobre um dos maiores problemas a ser enfrentado pela humanidade: a mudança climática.

Embora seja um fenômeno natural, que ocorreu mais de uma vez na escala geológica, a mudança climática prevista pelos cientistas é preocupante, pelo fato de esta ser uma consequência das ações do homem no planeta. O aquecimento global que vem sendo anunciado não parece ser da mesma magnitude de eventos passados que já atingiram a Terra. Ele será muito mais impactante e catastrófico, na medida em que as modificações da atmosfera, como resultado da emissão de gases de efeito estufa pelo homem, estão acontecendo em níveis cada vez mais elevados.

“Cientistas australianos determinaram recentemente que em 2002 e 2003 os níveis de CO2 subiram em 2,54 partes por milhão por ano em comparação com o aumento médio de 1,8 parte por milhão por ano durante a década anterior” (FLANNERY, 2007, pg 53).

É claro que o dióxido de carbono (CO2) não é o único gás estufa responsável pelo aumento da temperatura do nosso planeta. Metano e óxido nitroso também desempenham um papel importante no aquecimento, mas estão presentes em menores quantidades que o CO2. Outro gás estufa com papel fundamental e até mais efetivo que o do carbono é o vapor d’água. Ele pode estar presente em até 4% da troposfera (camada mais baixa da atmosfera), em comparação com os 0,003% de CO2, mas é pouco constante, sem registros passados, tornando difícil o seu estudo.

Assim, foca-se o problema da mudança climática nas emissões de CO2 pelo homem. Todos os anos, milhares de partículas desse gás são liberadas para a atmosfera, principalmente pelas indústrias e por nossos veículos de transporte. Essa emissão descontrolada, junto ao tempo prolongado de vida do CO2 no ar, faz com que seu efeito seja cumulativo. Além disso, tem-se o agravante da dificuldade de seqüestro do dióxido de carbono, visto que as florestas só desempenham esse papel de absorção com eficácia quando as plantas são jovens, pois a maturidade vem junto com um estado de equilíbrio da vegetação, as quais praticamente não consomem mais CO2.

“(...) estudo demonstrou que existe realmente apenas um grande sumidouro de carbono em nosso planeta, e ele está nos oceanos, que absorvem 48% de todo o carbono emitido pelo homem entre 1800 e 1994 (...)” (FLANNERY, 2007, pg 55).

Mas os oceanos também têm uma capacidade limitada, variando de região para região, não podendo sugar todo o CO2 que jogamos na atmosfera. Isso sem contar o prejuízo causado nesses corpos d’água com o excesso do dióxido de carbono, pela acidificação das águas e conseqüente perda de vida de muitas espécies marinhas.

Abordando tão somente os resultados estimados, e os já obtidos, na vida selvagem do planeta Terra, podemos perceber o quanto essa mudança climática existe de fato e como é importante lutarmos para amenizá-la (já que evita-la por completo é tarde demais). Baseando-se no livro de Tim Flannery, Os senhores do clima, é possível destacar alguns dados assombrosos do aquecimento global:

- Desde 1950 foi observada uma redução de 20% da quantidade de gelo do mar antártico, o que acarretou na redução brusca da quantidade de krill (um dos principais alimentos dos animais polares), logo, na vida de muitas espécies polares.

- Os recifes de coral, o ecossistema mais sensível dos oceanos, estão sofrendo com o aumento das temperaturas. A previsão do cientista Terry Done é de que um aumento de 1°C na temperatura mundial causa a perda de 82% dos recifes e se o aumento for mais de 3°C será uma “devastação total”.

- A rã dourada foi a primeira espécie a ser extinta como um alerta sobre o aquecimento global. Após a estação seca de 1987, na qual não houve a formação de névoa (fonte de umidade), a rã dourada desapareceu de seu hábitat na Costa Rica.

- As espécies de montanhas, ao longo do século XX, recuaram, subindo 6,1 metros em média ao longo de suas encostas a cada década, em busca de temperaturas mais amenas. O aquecimento descontrolado acaba por matar todas essas espécies, que, ao atingir o cume das elevações, não terão mais para onde fugir.

Esses são apenas alguns dos resultados catastróficos causados pela mudança climática que vem acontecendo, acelerados pelo homem. Se não agirmos logo, colocaremos em risco não só as nossas vidas, mas a de todas as espécies que vivem na Terra sejam elas animais ou vegetais.

É preciso agir e, para isso, é necessário que os nossos governantes sejam sensibilizados por essas pesquisas e comecem a pensar que de nada adianta a ganância dos governos, colocando a produção industrial e a energia suja acima dos impactos ambientais, se o planeta não puder mais suportar a vida nos próximos anos.


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Absurdo ambiental

Segue matéria explicativa, publicada no site da revista Página 22, sobre o novo absurdo proposto pela Câmara dos Deputados.


Leiam e assinem o abaixo-assinado. Assim mostramos nossa indignação e tentamos frear essa estupidez.




É uma bomba (difícil achar outro termo) a proposta que os deputados da bancada ruralista querem aprovar na Comissão Especial de Meio Ambiente. As ONGs e alguns parlamentares do PV e do PSOL estão protelando como podem. Mas estão em menor número, o que aumenta as chances de a Câmara aprovar, numa só tacada, a extinção de todas as principais peças da legislação ambiental brasileira.


São vários os projetos de lei que passarão pelo crivo da comissão, mas o favorito dos ruralistas é o 5367/09, de Valdir Collato (PMDB-SC), deputado do mesmo estado que regularizou a ocupação em áreas de preservação permanente que agora desabam sobre os catarinenses.


O envolvimento da opinião pública é fundamental. Abaixo, um resumo dos principais pontos do PL 5367/09. É ler e pasmar.


- Extingue todas as principais peças da legislação ambiental como a Política Nacional do Meio Ambiente, o Código Florestal, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, entre outras, substituindo-as por uma legislação única chamada Código Ambiental.


- Mata nativa é coisa para unidades de conservação. E só. O resto pode botar abaixo. O projeto acaba com a obrigação dos proprietários rurais em manter um percentual de suas terras com cobertura natural. É o que se chama Reserva Legal. Os percentuais variam de 20% a 80% dependendo da região do País. É fundamental para garantir conectividade aos biomas, sem a qual a biodiversidade empobrece. Não basta restringir a vegetação natural às unidades de conservação, enquanto todo o entorno é devastado. A biodiversidade não resiste em “ilhas verdes”.


- Se a população quiser alguma preservação em áreas particulares, o governo terá que pagar e, mesmo assim, apenas se os proprietários concordarem. Numa dessas a Mata Atlântica pode ir se despedindo do mundo, já que 80% dos remanescentes do bioma estão em propriedades privadas.
- Todo e qualquer licenciamento ambiental teria que ser concluído em no máximo 60 dias. Decorrido o prazo, a licença estaria automaticamente concedida.


Licenciamento ambiental é o processo de autorização que o órgão ambiental concede a todo empreendimento potencialmente poluidor ou degradador. Pode ser um quiosque na praia, pode ser uma gigante hidrelétrica. Dependendo da localização ou do tamanho do impacto, quem licencia é o Ibama, as secretarias de meio ambiente municipais ou estaduais. O prazo estipulado no PL é surreal para grandes projetos. Só o licenciamento do complexo hidrelétrico do rio Madeira demandou quase três anos.


- Áreas de preservação permanente, como mangues, restingas, topos de morro e várzeas passam a se chamar “áreas frágeis”. São protegidas, até que alguém queira derrubar para qualquer tipo de projeto. Se o camarada quiser construir um condomínio de luxo no topo de uma chapada, em princípio, pode. Mediante licenciamento de 60 dias.


Áreas de Preservação Permanente são áreas de grande importância ecológica, cobertas ou não por vegetação nativa, que têm como função preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem estar das populações humanas.


- O Ministério do Meio Ambiente deixaria de ser a autoridade máxima, que passaria a ser exercida por um Conselho de Governo, ligado ao presidente da República. O Conselho Nacional de meio Ambiente (Conama) que hoje tem caráter deliberativo, passaria a servir apenas como órgão de consulta.


Segundo reportagem da Agência Estado, a contenda na Cãmara foi remarcada para o dia 14 deste mês. Das 18 cadeiras da comissão, a bancada ruralista ocupa 10 e insiste em eleger o presidente e o relator, o que tornaria a aprovação das mudanças quase certa.


O Instituto Socioambiental mantém um hot site com o abaixo-assinado “Não deixe a legislação ambiental ser destruída”. Basta acessar e preencher nome, e-mail, cidade, estado e CEP. Participe!
Crédito da foto: Antonio Cruz/Agência Brasil