quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Blog Action Day: mudança climática em pauta

Participando ativamente do Blog Action Day (http://www.blogactionday.org/), hoje vou postar sobre um dos maiores problemas a ser enfrentado pela humanidade: a mudança climática.

Embora seja um fenômeno natural, que ocorreu mais de uma vez na escala geológica, a mudança climática prevista pelos cientistas é preocupante, pelo fato de esta ser uma consequência das ações do homem no planeta. O aquecimento global que vem sendo anunciado não parece ser da mesma magnitude de eventos passados que já atingiram a Terra. Ele será muito mais impactante e catastrófico, na medida em que as modificações da atmosfera, como resultado da emissão de gases de efeito estufa pelo homem, estão acontecendo em níveis cada vez mais elevados.

“Cientistas australianos determinaram recentemente que em 2002 e 2003 os níveis de CO2 subiram em 2,54 partes por milhão por ano em comparação com o aumento médio de 1,8 parte por milhão por ano durante a década anterior” (FLANNERY, 2007, pg 53).

É claro que o dióxido de carbono (CO2) não é o único gás estufa responsável pelo aumento da temperatura do nosso planeta. Metano e óxido nitroso também desempenham um papel importante no aquecimento, mas estão presentes em menores quantidades que o CO2. Outro gás estufa com papel fundamental e até mais efetivo que o do carbono é o vapor d’água. Ele pode estar presente em até 4% da troposfera (camada mais baixa da atmosfera), em comparação com os 0,003% de CO2, mas é pouco constante, sem registros passados, tornando difícil o seu estudo.

Assim, foca-se o problema da mudança climática nas emissões de CO2 pelo homem. Todos os anos, milhares de partículas desse gás são liberadas para a atmosfera, principalmente pelas indústrias e por nossos veículos de transporte. Essa emissão descontrolada, junto ao tempo prolongado de vida do CO2 no ar, faz com que seu efeito seja cumulativo. Além disso, tem-se o agravante da dificuldade de seqüestro do dióxido de carbono, visto que as florestas só desempenham esse papel de absorção com eficácia quando as plantas são jovens, pois a maturidade vem junto com um estado de equilíbrio da vegetação, as quais praticamente não consomem mais CO2.

“(...) estudo demonstrou que existe realmente apenas um grande sumidouro de carbono em nosso planeta, e ele está nos oceanos, que absorvem 48% de todo o carbono emitido pelo homem entre 1800 e 1994 (...)” (FLANNERY, 2007, pg 55).

Mas os oceanos também têm uma capacidade limitada, variando de região para região, não podendo sugar todo o CO2 que jogamos na atmosfera. Isso sem contar o prejuízo causado nesses corpos d’água com o excesso do dióxido de carbono, pela acidificação das águas e conseqüente perda de vida de muitas espécies marinhas.

Abordando tão somente os resultados estimados, e os já obtidos, na vida selvagem do planeta Terra, podemos perceber o quanto essa mudança climática existe de fato e como é importante lutarmos para amenizá-la (já que evita-la por completo é tarde demais). Baseando-se no livro de Tim Flannery, Os senhores do clima, é possível destacar alguns dados assombrosos do aquecimento global:

- Desde 1950 foi observada uma redução de 20% da quantidade de gelo do mar antártico, o que acarretou na redução brusca da quantidade de krill (um dos principais alimentos dos animais polares), logo, na vida de muitas espécies polares.

- Os recifes de coral, o ecossistema mais sensível dos oceanos, estão sofrendo com o aumento das temperaturas. A previsão do cientista Terry Done é de que um aumento de 1°C na temperatura mundial causa a perda de 82% dos recifes e se o aumento for mais de 3°C será uma “devastação total”.

- A rã dourada foi a primeira espécie a ser extinta como um alerta sobre o aquecimento global. Após a estação seca de 1987, na qual não houve a formação de névoa (fonte de umidade), a rã dourada desapareceu de seu hábitat na Costa Rica.

- As espécies de montanhas, ao longo do século XX, recuaram, subindo 6,1 metros em média ao longo de suas encostas a cada década, em busca de temperaturas mais amenas. O aquecimento descontrolado acaba por matar todas essas espécies, que, ao atingir o cume das elevações, não terão mais para onde fugir.

Esses são apenas alguns dos resultados catastróficos causados pela mudança climática que vem acontecendo, acelerados pelo homem. Se não agirmos logo, colocaremos em risco não só as nossas vidas, mas a de todas as espécies que vivem na Terra sejam elas animais ou vegetais.

É preciso agir e, para isso, é necessário que os nossos governantes sejam sensibilizados por essas pesquisas e comecem a pensar que de nada adianta a ganância dos governos, colocando a produção industrial e a energia suja acima dos impactos ambientais, se o planeta não puder mais suportar a vida nos próximos anos.


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